terça-feira, 26 de maio de 2009

O Adeus de Pandôra

Hoje tive um sonho estranho... sonhei que estava numa casa cheia de fantasmas e um deles me disse que tinha um defunto enterrado debaixo do piso do meu quarto... e que esse corpo em decomposição era o que a impedia de prosseguir sua ida ao ‘paraíso’... que aquele corpo fétido era ontem o amor de sua vida feliz... que sem ele sua alma iria vagar sem rumo pois a alma dele estaria aprisionada num mundo de incorformismo e dor chamado limbo... que isso tudo se deve ao fato dele ser metade de sua alma... e que eu tinha que de alguma forma retirá-lo para ter uma vida tranqüila sob pena de escutar os gemidos de suas lágrimas... não entendi o que isso tinha a ver comigo mas tudo tem uma explicação... sonhos são mensagens... decifrar um código exige no mínimo um esforço interno e concentração e às vezes nada disso... sigo meu dia ...
Cá estou, às 17:25hs, sentada no que sobrou... uma mesa com computador e algumas coisas para serem ditas...
Sempre guardei, mesmo que num canto escuro dentro do meu corpo uma certa mágoa, certa angustia, certa decepção de alguns... e sem saber o que fazer deixei para resolver depois...
Eles afinal se juntaram e antes que se voltassem contra mim num câncer, socaram meu estômago, beliscaram meu rim... tiraram meu fôlego... e com minha lixeira lotada tomei um remédio sem bula chamado ‘delete’...
Então abro a caixa de pandora e jogo fora repletas de dores e amores, liberto minhas angustias que se escondiam num limbo interno...
Tiro todas as roupas velhas e surradas do meu closet e deixo espaço para as novas... rasgo as fotos que podem me trazer qualquer sombra cinza e deixo apenas o colorido das doces lembranças...
Mudo a arrumação do quarto; troco as fotos dos porta retratos, mudo o lençol, o canal, os livros, os CD´s e DVD´s... deleto o cheiro do velho e deixo o cheiro do novo entrar... escancaro as portas e janelas...
Mudo de escritório; troco o amarelo pelo roxo clássico, arranco o carpete cinza e coloco taco, troco a persiana creme e coloco uma cinza, arranjo novos clientes... deleto a preguiça e a falta do que fazer...
Mudo os hábitos, entro numa academia, troco o cigarro por bombons de caramelo, a coca-cola pela água, o bife à parmegiana por claras e arroz branco com frango... me liberto dos males... mas ainda assim não consigo respirar nem voltar a ser inteira...
Algo maior tem que ser retirado do limbo... então...Mudo a forma de amar... deleto o homicida e o suicida também... apago com borracha o epilético e o louco... acho que no final das contas eles nem têm culpa ... provavelmente deve ser meu instinto, outrora dito, em ajudar os incapazes que me levou até eles... mas sendo um pouco má... quero que se danem junto com seus mundos de escuridão interior... estou deletando todos vocês... meu novo mundo não cabe outro cinza senão para a decoração chique do meu escritório...
O fantasma assustador dos meus sonhos era parte minha alma que vagava sem rumo porque sua outra metade estava enterrada em algum lugar do meu corpo chamado limbo, já em estado de putrefação, ...
Hoje joguei fora minha piedade... a prisão de sentimentos amassados, surrados...
Hoje desenterrei os defuntos guardados em minha alma para ser inteira sem qualquer pedaço a menos, sem qualquer pedaço esquecido... deixo o limbo e sigo direto para a vida... completa ... inteira...certa que um dia o ‘paraíso’ me espera ...

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