segunda-feira, 22 de junho de 2009

MM´s

Você manda mensagens no final do dia e fala com uma voz meio roca, meio doce... que pensa em mim... você não vê... mas secretamente dou uma covinha pra você...
Você abre a porta do carro em meio à chuva só pra destruir por dentro tudo que eu estava quase acreditando... e me lembra que é pura mentira quando digo que não ligo pra isso... de fato não ligo...mas entre a porta do falso tailandês e a porta do carro você ficou durante quase cinco segundos a mais junto ao meu corpo e pra isso eu ligo... eu ligo pra todas as portas que você abre dentro de mim...
Você me liga e ficamos horas conversando... nem lembro a última vez que fiz isso com alguém... provavelmente deve ter sido no mesmo tempo das primeiras descobertas... do primeiro beijo... lá pelos meus 12 anos... talvez você seja exatamente isso... um reinicio... seja de inocência ou de curiosidade... de frio na barriga... de contagens de horas...
Você também soa as mãos... e juntos nos revelamos... você me abraça e sempre dançamos ... talvez porque a dança é a fala do corpo... então ele fala... te nino... te mimo... te adoro...
Você coloca um filme que juntos escolhemos... e não liga quando desisto dele... porque não quero passar sequer um segundo de tédio do seu lado... então trocamos o confuso pelo instigante... porque é assim que somos... inevitavelmente instigantes...
Você pega água e dentro de mim eu grito: traz um pote grande! porque meu bem a sede que tenho nem o Niagra iria ser suficiente... e você inconscientemente escuta e traz uma jarra...
Penso: você é do meu tamanho... e muito provavelmente pode se encaixar na minha panela, vestir no meu pé meu sapato de cristal mesmo ele estando mofado, matar os dragões mesmo eles já velhos...
Você alisa meu cabelo... meu corpo... você não viu, mas você estava alisando minha alma... e me fez tão serena que dormi um sono meigo, um sono infantil... um sono onde você também estava e como foi bom abrir meus olhos e ver que você estava exatamente como eu deixei... você não sumiu... você estava bem ali... ao meu alcance ... então me alcança!
Você prepara um risoto com sua nova panela... e fico sentada te observando... você não viu, mas enquanto eu tagarelava, eu analisa teus passos... teus gestos... então como o risoto juntamente com teu riso... bem devagar como quando como aqueles petit gateaus da Häagen-Dazs que comi na Oscar Freire (na porta havia uma frase: o mundo se derrete por ele!)... deixo você derreter e te engulo devagar... demoro entre uma e outra garfada torcendo : Não acaba! Não acaba! E você me dá um BIS...dizendo do próximo que fará... Penso: ei você não teria por aí, meio como produto não identificado algo que possa transformar-se num antídoto para as maças podres que me fizeram dormir durante anos de pesadelos não é mesmo? Você derramou um pouco disso nesse risoto... nesse riso...?
Fomos pra varanda... você quis me mostrar a lua que não estava lá porque ela está aqui... dentro do meu corpo, crescente... você quis me mostrar o amanhecer mas já estava tarde ou cedo demais, então a hora é exatamente essa... você quis me mostrar o barulhinho do mar mas eu já estava vendo parte dele nas ondinhas do teu cílio... então sobram as estrelas... que lá estavam... só para enfeitar com brilho nosso encanto...
E assim ... leve ... sem sentir ... você vai quebrando minhas marchas, quebrando meus potes, meus medos... me mostrando que paciência pode te levar a uma satisfação mais profunda... então te paquero... e você desfaz com aquele sorrisinho todos os muros, todas armaduras e armadilhas ...
São João de 2009? sim... eu vivi ele dentro de mim...com enxurrada de fogos... quadrilha com anariê, alavatú e fatias de mini bolos!

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